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Em Destaque II - Bragança detém a fama de ter a melhor farinha

Paulo Arthur | 05:47 |


Juntamente com a Marujada de São Benedito e a praia de Ajuruteua, a farinha produzida em Bragança compõe a trilogia das principais referências do município.
A relação entre Bragança e a produção de farinha é tão remota quanto a origem do município, onde os índios da nação Tupinambá habitavam as margens do rio Caeté - quando Daniel de La Touche, o senhor de Ravardière e sua comitiva passaram por lá, em 1614. Como se pode constatar no texto escrito durante a viagem, de 1613 e 1614, e impresso em 1615, com o título de “Suitte l’histoire des choses plus memorables advenuës em Maragnan és annes 1613 - 1614”, no qual é relatado um mal estar decorrente da falta de hábito da ingestão do produto, pelos franceses de passagem, a farinha fazia parte do cotidiano do lugar. “Embrenharam-se muito pelo sertão e, quando a felicidade os encheu de caça, aconteceu-lhes uma desgraça: viram-se obrigados a comer farinha como se fosse pão, com a carne que havia, contrariando muito os franceses não habituados a esta espécie de pão, sentindo muito que a festa não fosse completa, havendo tanta carne, sem pão e sem sal”. O mestre em História Dário Benedito Rodrigues, professor do campus Bragança da Universidade Federa do Pará (UFPA), lembra que a farinha já fazia parte do cotidiano dos índios, inclusive como meio de manutenção da economia.
“Segundo vários discursos e fontes históricas ao longo do tempo, a cidade de Bragança pode se orgulhar nacional e internacionalmente de possuir a farinha considerada a melhor do Pará pelos consumidores, produto que ganhou ainda mais pulso a partir do final do século XIX, com migrantes oriundos do Nordeste do Brasil e vindos para a região a fim de formar núcleos agrícolas e exportar a produção por via férrea, constituindo-se então num forte elemento da cultura, naturalmente, dado à qualidade e ao grande consumo do próprio lugar, que a propósito, tem um paladar muito refinado e exigente em relação à farinha”, diz o diretor acadêmico.
E, por ser degustada com tamanho apreço, parte da farinha feita pelos produtores mais antigos ainda em atividade é encomendada antecipadamente, uma vez que a demanda não consegue ser atendida de outra maneira devido à grande procura. As famílias Padilha e Santino são os principais nomes nesta tradição, torrando o produto no mesmo tacho de bronze, trazido da Europa, juntamente com os trilhos da extinta Estrada de Ferro de Bragança, há três gerações. Os Santino e os Padilha são vizinhos no Camutá, comunidade ribeirinha, vizinha da Vila-Que-Era (onde está o marco de fundação da cidade, pelo português Álvaro de Sousa), ambas localizadas à margem oposta à cidade, originada do outro lado - para onde, poucos anos após fundação, os moradores se mudaram para manter melhor comunicação com Belém, obtendo assim maiores recursos. “Atendemos encomendas de 30 a 50 quilos, sem ser para revenda, e sim para consumo próprio, tanto para moradores de Bragança como também os que estão fora do Estado e não abrem mão de comer da nossa farinha, de bragantinos a pessoas que passaram por aqui, provaram e nunca mais esqueceram”, disse José Padilha, que faz parte da terceira geração de produtores de farinha na família.
Os segredos da peculiaridade do sabor da farinha lavada
Há vários tipos de farinha: d’água, seca, de tapioca, com coco. Mas, quando o assunto é farinha de Bragança, a referência é a d’água, muito bem lavada. Segundo Amálio Januário de Matos, 68 anos, que cresceu plantando mandioca e fazendo farinha e atualmente é vendedor do produto na feira de Bragança, a lavagem da farinha é um dos principais segredos para obter o resultado que tanto encanta os apreciadores do produto, por isso a diferença entre a farinha d’água, a comum e a lavada. 
“Os dois tipos passam pelo mesmo processo, porém a que chamamos de lavada é lavada três vezes, diferente da comum, que é lavada só uma vez. Com isso, fica menos ácida e é preferida pelas pessoas que têm problema de estômago e não conseguem deixar de comer farinha”, explicou.
Um fiel adepto é o taxista Leonardo Barros de Oliveira, 24 anos, que já recebeu até prescrição médica com dieta impedindo-o do consumo - mas não resiste ao que ele chama de biscoitinho de mandioca.
“Sem farinha não dá para comer quase nada, principalmente aqui em Bragança, onde há fartura de peixes e mariscos em geral. Não dá para imaginar um peixe assado na brasa sem estar acompanhado de farinha, nem um caranguejo tirado ou a toc-toc”, argumenta Leonardo, que admite não se deter ao prato principal - embora também coma farinha não só com açaí, mas com outros sucos nativos, como de cupuaçu, de bacuri, de buriti, de tucumã. “Isso sem falar em farinha com doce em compotas, com goiabada. Farinha é para dar o crocante no paladar, seja no doce ou no salgado, por isso combina com quase tudo”, concluiu o bragantino.
(Diário do Pará)

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