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Sexta-Feira Santa, O cordeiro de Deus que tira todo pecado do Mundo

Hoje sexta-feira Santa, somos convidados a meditar sobre o mistério da rejeição, condenação, sofrimento e morte de Jesus Cristo, sendo pregado numa cruz! Trata-se do mistério do sofrimento e da morte prematura do justo e inocente! 
A questão da morte desse inocente nos convida a aprofundar o significado da palavra “EXPIAÇÃO”. É uma palavra muito presente na Sagrada Escritura tanto no Antigo como no Novo Testamento e também se faz presente na liturgia católica em muitas orações, sobretudo, nas súplicas sacerdotais.

O QUE SIGNIFICA EXPIAÇÃO? 
Vem do verbo “expiar” que significa “purificar”, resgatar alguém da situação de dívida ou pecado. No Antigo Testamento a expiação era o ritual religioso através do qual um sujeito em situação de pecado, culpado, tendo a consciência acusada por ter cometido uma falta, uma transgressão moral ou religiosa, era purificado mediante o sacrifício de um cordeiro ou bode. A “expiação ou também propiciação” era um sacrifício pelos pecados.
O conteúdo e a dinâmica desse sacrifício dependiam da gravidade da falta do fiel. Tudo era previsto na lei das prescrições religiosas. Podemos encontrá-las com abundância no livro do Levítico; por exemplo, para entender melhor essa prática, é oportuno ler Levítico 4. Os sacrifícios pelos pecados era uma prática profundamente levada a sério pelos judeus; a preocupação com a purificação era fortíssima para eles. Foi instituído até mesmo o dia da expiação, ou dia dos perdões (cf. Lv 9). 
Para apagar os pecados do pecador a vítima era um cordeiro que deveria ser sacrificada. O pecador deveria por a mão sobre a cabeça da vítima (do cordeiro ou bode) e entregá-lo ao sacerdote para ser abatida, tendo seu sangue derramado e carne queimada; e assim se acreditava, através desse rito religioso, que o pecado era perdoado (cf. Lv 1,4).

PROCESSO DE MUDANÇA
Os profetas, críticos como eram, sempre alertaram os sacerdotes e o povo para não caírem na esterilidade das expiações, sacrifícios e ofertas. A crítica era justa e acusava a pura exterioridade desses ritos. Também Jesus vai criticá-las! 
O profeta Isaías denuncia esse ritualismo exterior sem mudança interior e diz para o povo e lideranças religiosas que Deus estava farto do sangue de animais (touros, cordeiros e cabritos - cf. Is 1,10-17). Esse sangue por si mesmo não tinha poder para salvar, purificar e nem perdoar!

JESUS CRISTO É O CORDEIRO DE DEUS
É dentro desse contexto que passamos melhor a entender a importância e a validade do sacrifício de Jesus. É dentro desse contexto histórico-religioso que melhor entendemos o título dado a Jesus de “Cordeiro de Deus”. 
Jesus, por suas atitudes de nobreza diante das injustiças, por aquilo que tramaram contra ele, foi visto pelos profetas como um cordeiro inocente, calado, levado ao matadouro (cf. Is 53,7; Jr 11,19). Essa imagem foi incorporada na liturgia; por isso, dizemos no rito Eucarístico, repetindo três vezes, que Jesus Cristo é “o cordeiro de Deus tira o pecado do mundo!” (Mt 26,28; Lc 22,20). De fato, sua origem e natureza são divinas!
Ele assume o papel do antigo cordeiro! Mas não em prol de uma só pessoa, mas em benefício da humanidade inteira (cf. Hb 9,11-28). Não só pelas faltas do presente, mas por aquelas de todos os tempos. De fato, sua expiação tem validade, nos purifica, tem poder, nos salva, nos liberta, nos fortalece, porque ele é Deus! Deus conosco! O resto depende de nós! 
Os textos da Sagrada Escritura a esse respeito são tremendos: “Carregou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro para que, mortos aos nossos pecados, vivamos para a justiça. Por fim, por suas chagas fomos curados” (Is 53,5). "Cristo sofreu e deixou-nos seu exemplo: Ele, ultrajado, não retribuía com idêntico ultraje; ele, maltratado, não proferia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça” (1Pd 2,23).

LIÇÕES PARA A NOSSA VIDA:
Estamos no Novo Testamento, na era do compromisso do coração, da promoção da justiça, do exercício da solidariedade e da honestidade. A Salvação é sinal da Misericórdia de Deus para conosco, mas não nos dispensa da prática do mais nobre sacrifício, a CARIDADE. Portanto, Sacrifício, amor, justiça misericórdia caminham juntas. Celebrar a Paixão de Jesus e sua morte na Cruz significa renovar o compromisso pela promoção do Bem! 
De nada valem os sacrifícios materiais quando o coração e a mente não se comprometem com a promoção da paz, o perdão, justiça e da cultura da honestidade. Não basta dar... é preciso doar-se! A era do bode expiatório passou! O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo quer a nossa contribuição para a promoção do Reino de Deus... Boas iniciativas em prol do Bem Comum, solidariedade, voluntariado, combate ao egoísmo... Como Maria, devemos ter pressa em fazer o bem! Tudo isso constitui o sacrifício incruento que brota do dinamismo da Caridade!
(Dom Antônio de Assis - SDB, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belém)

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